CÂNCER
Fevereiro é o mês de conscientização da doença.

No último dia 4 foi o Dia Mundial do Câncer. É sempre um momento em que o mundo todo se une no combate a essa doença que, embora temida, permite resultados favoráveis quando tratada adequadamente, e bons índices de cura são registrados, se descoberta com antecedência. O médico geriatra da Clínica Saúde BRB, Dr. Marcio Miranda, elaborou o texto a seguir, com a proposta de estimular a reflexão sobre o tema de uma forma leve e descontraída. Boa leitura!

“É pra falar da doença ruim?!
Xiii… tô fora”

Partindo do pressuposto que nenhuma doença é boa e que todas (pelo menos as que eu conheço) são ruins, poderíamos falar aqui sobre qualquer doença. Mas é dela mesmo que vamos falar, aquela que não se pode dizer o nome. Aliás, não se podia, pois nas linhas abaixo, vamos conversar sobre esta doença… de agora em diante, pode-se e deve-se, falar sobre câncer.

Soletrem comigo: C – Â – N – C – E – R, CÂNCER!

Vejam quanto texto, quanto espaço desperdiçado só para dizer que o assunto dessa edição é câncer. Esse medo é de quem, em parte, retarda o diagnóstico e piora o prognóstico.

Quando lidamos com o câncer, o melhor é fazer o diagnóstico precoce, digo, o melhor é não ter; mas uma vez tendo, que o diagnóstico seja o mais precoce possível.

Tempo é sobrevida! Quanto mais cedo se diagnostica o tumor, maiores são as chances de cura. Isso mesmo, eu disse CURA!

Diferente das doenças crônicas mais frequentes (hipertensão, diabetes, enfisema pulmonar, Alzheimer, osteoporose etc.), o câncer permite a sua completa resolução. Mas pra isso, dependemos de um diagnóstico precoce.

“Como?”

Valorizando mudanças na sua percepção de saúde. Na maioria absoluta das vezes não será um câncer. Porém, em algumas situações, pode sim ser um tumor. Seu médico avaliará seus sintomas, seu histórico de vida e familiar, lhe examinará e definirá a necessidade de alguma investigação complementar.

Além de valorizar seus sintomas, relatando-os ao seu médico, alguns poucos e baratos exames complementares permitem o diagnóstico precoce em pessoas assintomáticas, aumentando a sobrevida e as taxas de cura.

Exames que mudam a história de vida de uma população: a prevenção (a “lâmina” ou colpocitologia oncótica), a mamografia, a pesquisa de sangue oculto nas fezes. São exames simples, baratos e poderosos.

Notaram que não falei de nenhum exame mirabolante, caro, ou muito sofisticado? Estes, possivelmente serão muito usados durante um eventual tratamento, mas para diagnóstico em pessoas assintomáticas, precisa-se de muito pouco.

“Tem jeito de prevenir?”

De forma curta e direta: sim. Interrupção do tabagismo, alimentação pobre em gordura animal e sal, proteção sexual, evitando a promiscuidade. Claro que existem mais coisas, mas em termos populacionais, este conjunto de medidas tem grande força na prevenção do câncer.

Costumo dizer que se todas as pessoas do mundo parassem de fumar, em pouco tempo teríamos uma legião de oncologistas desempregados, vendendo doces nos semáforos das grandes cidades.

A brincadeira acima é para deixar bem claro que o cigarro é fator de risco para vários tipos de tumores, além dos frequentemente veiculados na mídia leiga (pulmão, boca, laringe).

Dietas ricas em gordura e/ou sal aumentam o risco de alguns do trato gastrointestinal.

Tumores genitais como pênis, vulva, vagina e colo uterino são dependentes em praticamente 100% dos casos da transmissão sexual do vírus HPV.

Até agora, vimos que é importante um diagnóstico precoce e que há estratégias preventivas. Mas se a prevenção não for mais capaz, o diagnóstico for tardio, como é que fica?

“Vou morrer disso?”

Talvez sim, talvez não!

A cada ano que passa, a luta dos pacientes contra o tumor fica mais favorável para o nosso lado. Isso porque a indústria farmacêutica investe pesado na pesquisa de novas drogas, com frequentes descobertas de novos medicamentos, mais eficazes e com menos efeitos colaterais. Isso aumenta sobremaneira a taxa de cura, e quando não há cura, prolonga-se a vida, de forma que alguns pacientes têm seu tumor “cronificado”, vivendo muitos anos em tratamento, tomando diariamente seus medicamentos, assim como um paciente hipertenso e/ou diabético.

Mas para o sucesso, não pode haver medo de falar o “nome da doença ruim”, tampouco de relatar seus sintomas, investigar, reconhecer o diagnóstico que eventualmente se confirme e seguir o tratamento sem preconceito.

DOENÇA RUIM é ignorar que o câncer precisa ser pensado, dialogado, diagnosticado e tratado.