DE OLHO NO INVERNO
Estiagem e queda da temperatura ampliam problemas oftalmológicos

Uma das principais características do inverno na Capital Federal, a baixa umidade relativa do ar, é sentida por todo o organismo. “Até mesmo a visão é afetada”, descreve Dr. Mario Pacini, chefe do Departamento de Retina e Vítreo do Hospital Pacini. O especialista explica que na estação crescem os casos de conjuntivite viral e costumam se agravar os quadros de Síndrome do Olho Seco.

“A propagação da conjuntivite do tipo viral se dá pelo contato físico do olho com as mãos ou com objetos contaminados. Nunca ocorre pelo ar”, esclarece. Em geral, atinge os dois olhos, dura de uma a três semanas e não costuma deixar sequelas. “Nesse período, é fundamental separar objetos de uso pessoal, como toalhas, e utilizar lenços descartáveis”, orienta Dr. Mario.

Para evitar o contágio, alguns cuidados são essenciais, tais como: lavar as mãos frequentemente e evitar coçar os olhos. “Sintomas como coceira, olhos vermelhos, sensibilidade à luz, inchaço das pálpebras e secreção nos olhos – principalmente pela manhã – denunciam a existência da conjuntivite”, explica. A visita ao oftalmologista é fundamental: “Uma reação relativamente comum na conjuntivite viral é a infiltração na córnea, na qual o paciente apresenta visão embaçada. Por isso, os casos devem ser acompanhados de perto pelo médico”.

Já a chamada Síndrome do Olho Seco se caracteriza pela diminuição da produção da lágrima ou pela piora da qualidade de lubrificação ocular. Os principais sintomas são sensação de areia nos olhos, coceira e extrema sensibilidade à luz. ”As lágrimas fazem muita falta porque protegem os olhos de infecções e das impurezas presentes no ar”, afirma Dr. Mario.

Na maioria dos casos, a solução é simples. O uso de lágrimas artificiais restabelece a umidade e reduz os sintomas do Olho Seco. Outras medidas úteis são ingerir água em abundância, utilizar umidificador de ar, evitar o uso de ar condicionado e proteger os olhos com óculos com muito vento.
Cabe destacar que o distúrbio pode ser causado por doenças sistêmicas – em especial artrite, alergia e lúpus – e por medicações – como anti-histamínicos, antidepressivos, anti hipertensivos. “A Síndrome pode ocasionar lesões na córnea e, quando não diagnosticada e corretamente assistida, prejudicar a superfície ocular e, em alguns casos, conduzir à perda da visão”, conclui Dr. Mario.