PARTO NATURAL
No mês das mães, uma discussão importante

O objetivo principal da Obstetrícia é preservar a integridade da saúde materna e proporcionar ao recém nascido todo o potencial que permite o seu pleno desenvolvimento.

O parto normal é a maneira mais natural para dar à luz uma criança. É fisiológico, em geral é menos arriscado e traz benefícios para a mãe e o bebê. Ainda no pré-natal, o médico assistente consegue identificar condições que podem dificultar a condução de um parto normal, de forma que a mulher pode e deve debater com o médico sobre a via
de parto programada.

Um ambiente acolhedor no momento da assistência ao parto é um ponto muito importante para o sucesso de um parto normal. Assim como deixar a paciente ser a autora do seu momento. A observação durante o trabalho de parto deve incluir a avaliação da condição clínica da parturiente e a identificação de possíveis fatores de risco; o monitoramento da condição do feto, e do bebê após o nascimento; a detecção precoce de problemas e a utilização de intervenções de forma parcimoniosa e apenas em situações de necessidade.

O trabalho de parto induz a liberação da ocitocina, um hormônio fundamental para as contrações uterinas e que, no cérebro, parece estar relacionado ao vínculo emocional da mãe em relação ao filho. Estudos indicam que a ocitocina pode ser capaz também de proteger o recém-nascido de danos no cérebro e ajudar no amadurecimento cerebral.

O parto normal também proporciona maior facilidade para o bebê respirar. Ao passar pelo canal vaginal o seu tórax é comprimido e isso faz com que os líquidos de dentro do pulmão sejam expelidos. Ao nascer o bebê pode ser imediatamente colocado em cima da mãe, o que acalma mãe e filho e aumenta o vínculo. Não pode ser realizado com dia marcado na agenda, mas o obstetra pode indicar a data prevista para o parto, o que ajuda os pais a se prepararem para a chegada do bebê. A mãe tem uma recuperação mais rápida e menor tempo de internação hospitalar. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o risco de complicações pós-parto, tanto para a mãe como para o bebê, é duas vezes maior nas cesarianas.

A dor do parto faz parte da própria natureza humana e, ao contrário de outras experiências dolorosas, não está associada à condição patológica, mas sim à experiência de gerar uma nova vida. Durante o trabalho de parto devem ser também desenvolvidas ações para diminuir o nível de estresse e ansiedade da mulher, pois mesmo com a utilização de analgésicos, muitas vezes eles não podem gerir sozinhos esse fenômeno multidimensional que é a dor do parto. Alternativas não farmocológicas para o manejo da dor no trabalho de parto tem sido estudadas com resultados promissores.

É possível se avançar para um consenso de valorização do parto vaginal, da assistência carinhosa e humana para com a grávida e a preservação da relação de respeito entre a parturiente e toda a equipe de assistência. Lembrar sempre que parto adequado é aquele que é melhor para a saúde da mãe e do bebê.

Dra. Claudinese Sirley Novato Ribeiro
Ginecologista da Clínica SAÚDE BRB