CUIDADO COM A SÍFILIS
Casos têm aumentado no DF

Sífilis é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pela bactéria Treponema pallidum, também chamada cancro duro. Ela é mais contagiosa nos estágios primário e secundário e a forma principal de contágio é o contato sexual. Pode, também, ser transmitida: através do beijo, quando há lesões na boca; de mãe para filho, durante a gravidez ou parto, causando sífilis congênita; e mais raramente através de transfusão sanguínea.

A doença não é transmitida através de assentos, uso de vasos sanitários, piscina, roupas e utensílios domésticos. Uma vez curada, a sífilis não pode reaparecer, mas a pessoa pode ser reinfectada por alguém que esteja contaminado, pois a doença não confere imunidade permanente.

A sífilis se divide em estágios:

Sífilis Primária

O primeiro estágio. Cerca de duas a três semanas após o contágio, formam-se feridas indolores que desaparecem em cerca de quatro a seis semanas depois, mesmo sem tratamento, mas isto não representa que a doença ficou curada, mas que está avançando para a segunda fase. Nos homens, essas feridas geralmente aparecem em volta do prepúcio, enquanto nas mulheres elas surgem nos pequenos lábios e na parede vaginal. Também é comum o aparecimento dessa ferida no ânus, na boca, na língua, nas mamas e nos dedos das mãos, algumas vezes surge no colo do útero, o que torna mais difícil ainda o
diagnóstico.

Sífilis Secundária

Os sintomas surgem cerca de 6 a 8 semanas depois do desaparecimento das lesões causadas no primeiro estágio. Manchas vermelhas na pele, na boca, no nariz, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés são os achados mais comuns dessa fase, sendo que também podem ocorrer sintomas gerais e inespecíficos como: descamação da pele; ínguas, principalmente na região genital; dor de cabeça; alopecia (queda de cabelo); dor articular; dor muscular; dor de garganta; mal-estar; febre leve, geralmente abaixo de 38ºC; falta de apetite; e perda de peso.

Sífilis Latente

Caso a pessoa apresente os sintomas das fases primária e secundária, e não for feito o diagnóstico nem houver tratamento, a doença ficará latente, sem se manifestar, mas continuará a evoluir e a infecção permanecerá . Este período pode durar meses ou anos. A doença pode nunca mais se manifestar no organismo, mas pode ser que ela se desenvolva para o próximo estágio, o terciário – e mais grave de todos.

Sífilis Terciária

Costuma ocorrer de 1 a 30 anos após o contágio, se não for feito o tratamento nas outras fases. Caracteriza-se por lesões maiores na pele, boca e nariz. Também podem ocorrer problemas cardíacos, oculares, articulares, ósseos, neurológicos e hepáticos.

Sífilis Congênita
A mãe infectada, que não faz o diagnóstico da doença, e consequentemente não faz o tratamento, pode transmitir a doença para o bebê, causando muitas vezes aborto, malformações ou morte do bebê ao nascer. A maioria dos bebês que nascem infectados não apresenta nenhum sintoma da doença. No entanto, alguns podem apresentar manchas arredondadas de cor vermelho pálido ou cor de rosa na pele, incluindo a palma das mãos e a sola dos pés; irritabilidade fácil; perda de apetite e da energia para brincar; pneumonia; anemia; problemas nos ossos e nos dentes; perda da audição e deficiência mental.

Como diagnosticar

Procure sempre o seu médico quando do aparecimento das lesões para que o mesmo possa fazer o diagnóstico; se houver histórico de relações desprotegidas com pessoas que tinham lesões, mesmo que você não as tenha observado no seu corpo, o ideal é fazer o exame médico para que o mesmo possa avaliar áreas mais escondidas como o colo do útero. Se não houver nenhuma ferida na região genital, nem em outras partes do corpo, o médico pode solicitar um exame chamado VDRL, que identifica o Treponema palladium no organismo.

Esse exame, normalmente, é realizado na primeira consulta do pré-natal, na 28ª semana de gestação e após o parto, porque a sífilis é uma doença grave que a mãe pode passar para o bebê, mas que é facilmente curada com antibióticos prescritos pelo médico.

Tratamento

Quando diagnosticada precocemente, a sífilis não costuma causar maiores danos à saúde e o paciente pode ser curado rapidamente. A doença só evolui ou contamina o feto se não for feito o tratamento; infelizmente, as taxas da doença, apesar da facilidade do tratamento, vêm aumentando. Depois de a prevalência ter diminuído drasticamente com a introdução da penicilina na década de 1940, desde o início do século XXI, as taxas têm aumentado em muitos países.

O tratamento é feito facilmente com uso de antibióticos, sendo o mais usual e potente a penicilina, e a dose vai variar conforme a fase da doença; nesses casos, o seu médico irá lhe prescrever conforme a sua condição. Os recém-nascidos infectados, inclusive, também costumam fazer uso das penicilinas.

É necessária a realização de exames de sangue de acompanhamento após três, seis, 12 e 24 meses para garantir que não há mais infecção, em alguns casos. Logo após o tratamento, a taxa do VDRL aumenta, mas com o tempo ela começa a reduzir. Às vezes, chega a ficar negativo. Mesmo assim, alguns pacientes mantêm taxas positivas com baixa titulação, o que nós médicos chamamos de cicatriz sorológica. A atividade sexual deve ser evitada até que o segundo exame mostre que a infecção foi curada. É muito importante, ainda, que, após o diagnóstico, o parceiro também faça o exame e em caso positivo, também faça o tratamento. A sífilis é extremamente contagiosa por meio do contato sexual nos estágios primário e secundário.

Prevenção

A forma mais eficaz de prevenção é não ter nenhum tipo de contato sexual. Ter relações sexuais com várias pessoas aumenta o risco de contrair a doença, mas o mais importante é sempre fazer uso do preservativo. A camisinha é medida preventiva não só para sífilis, mas também para todas as outras DSTs.

Dra. Rosileide Tavares Soares
Médica Ginecologista da Clínica SAÚDE BRB
CRM 23968