SAÚDE DA MULHER

Tema em pauta durante o Outubro Rosa

Doutora Maria Teresa de Godoy Morais (CRM/DF 13727) é médica ginecologista obstetra na Clínica SAÚDE BRB, formada pela Universidade de Brasília – UnB, esteve na Secretaria de Saúde do DF por 10 anos. Em entrevista a esta edição do Mais Vida, a médica destaca a campanha em favor da prevenção e detecção precoce do câncer de mama. Confira!

Mais VidaFale sobre a importância do Outubro Rosa …

 Maria Teresa – O Outubro Rosa é o mês que a gente usa para chamar a atenção da mulher sobre a questão do câncer de mama, ainda o mais prevalente e fatal entre esse público. Precisamos conscientizar as mulheres de que é possível fazer um rastreamento que detecta um câncer inicial, que tem melhores condições de ser tratado. E tratado precocemente, a mulher tanto pode ficar curada como ter um prognóstico muito melhor, ter uma cirurgia muito menos mutiladora. A principal intenção da campanha é diminuir a mortalidade por câncer de mama e as comorbidades associadas.

Mais VidaE como é realizado esse rastreamento?

 Maria Teresa – O principal exame que rastreia o câncer de mama é a mamografia. É claro que a mulher que tem o acompanhamento ginecológico deve ser orientada a fazer uma palpação mensal das mamas, até para ela conhecê-las e ter condições de perceber detalhes diferentes naquelas mamas. Mas a mamografia é essencial, pois o exame é o que tem melhor sensibilidade e especificidade para o diagnóstico da doença.

Mais VidaEsse exame deve ser feito a partir de qual idade e com qual periodicidade?

 Maria Teresa – É recomendado, segundo protocolo nacional, que comece a ser realizada anualmente a partir dos 40 anos, idade na qual a incidência aumenta. Antes disso, vai depender do caso de cada mulher. Mulheres que possuem alterações genéticas e mutações para a doença são casos especiais.

Mais VidaQuais as ações do Programa Previne Mulher?

 Maria Teresa – O Programa cuida da saúde da mulher de uma forma global, longitudinal e atenta não só para a prevenção do câncer de mama, mas também de colo uterino, que ainda é o quarto tipo mais comum no Brasil. O médico ginecologista procura avaliar a saúde geral da paciente de modo a intervir positivamente nos hábitos e encaminhá-la a outros especialistas quando for o caso. A escuta é bem qualificada. Avaliamos perda de massa óssea para verificar osteoporose ou osteopenia, quais métodos contraceptivos estão sendo utilizados, se são combinações que podem aumentar algum risco, se essa mulher pode ou não usar certos tipos de hormônio. Verificamos o calendário de vacinação, porque dependendo da idade dessa mulher, o câncer de colo uterino pode ser evitado com a vacina do HPV.

Mais VidaGostaria, então, que fizesse um convite às Beneficiárias do Plano.

 Maria Teresa – O serviço oferecido pela Clínica SAÚDE BRB é extremamente organizado e voltado para a saúde geral do paciente. Como as mulheres possuem esse acesso e isso não irá onerá-las, já que na sua utilização não incide coparticipação, o ideal é que ela aproveite essa oportunidade e venha pelo menos uma vez ao ano ao ginecologista para realizar o exame preventivo, tirar suas dúvidas sobre contracepção, em relação à vacinação, ser orientada inclusive no planejamento familiar. O atendimento é prestado a mulheres a partir dos 14 anos.

Números do Programa Previne Mulher

O Programa já atingiu 50% do público-alvo, sua boa aceitação pode ser verificada pelo número crescente de participantes. Foram realizadas 3.561 coletas de Papanicolau, das quais 128 foram considerados alteradas e nenhum caso culminou em tratamento de quimioterapia ou radioterapia. Foram realizados 2.775 exames de sangue oculto nas fezes e 698 colonoscopias. Observaram-se 8 casos de câncer de cólon com indicação de colectomia, desses, 4 foram complementados com quimioterapia e radioterapia. Foram realizadas 2.848 mamografias, estando alteradas 203 (8%), dessas, 34 estão sendo acompanhadas pelo Programa e 14 pela rede de prestadores. Quanto ao planejamento familiar, 396 DIUs foram implantados na Clínica. 44% das participantes também foram acompanhadas pela psicologia, individualmente ou em grupo. Quanto ao risco cardiovascular, 76% das mulheres foram classificadas como baixo, 16% médio e 8% como alto ou muito alto. Foi verificada uma queda de 18% no número de dias de afastamento do trabalho por doenças. Este ano, teve início do projeto de acompanhamento pré-natal Nascer Saudável. Em janeiro de 2018, já haviam 30 gestantes cadastradas, tendo sido realizados 6 partos, sendo 50% normais.